terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Panvel está vendendo livro sobre o bairro Moinhos de Vento


Graças a uma gentileza do Júlio Mottin, proprietário da Panvel Farmácias, os últimos exemplares de meu livro Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre estão sendo vendidos em quatro lojas do grupo. São, justamente, as lojas situadas no bairro Moinhos de Vento, nas ruas 24 de outubro, Goethe, Padre Chagas (foto). E o livro está bombando na Panvel, sobretudo no Moinhos Shopping. Trata-se de um sucesso que vem sendo constante desde que a obra foi lançada, em outubro de 2008. Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre também está disponível nas livrarias Saraiva dos shoppings Moinhos e Iguatemi.
Para os que pensam que o Moinhos de Vento é apenas o Parcão, o Hotel Sheraton, o Moinhos Shopping, a Padre Chagas e a hoje extinta Calçada da Fama, vejam só o elenco que morou ou esteve ligado ao bairro em mais de 100 anos de sua existência:

A.J. Renner, Getúlio Vargas, Érico Veríssimo, Leonel Brizola, Ildo Meneghetti, João Goulart, Caetano Veloso, Daiane dos Santos, Clodovil, Thomaz Koch, Castelo Branco, Dom João Becker, Dom Vicente Scherer,Flores da Cunha, Alberto Bins, Elis Regina, Jair Rodrigues, Miriam Makeba, João Wallig, Paixão Côrtes, Breno Caldas, Maurice Chevalier, Herman's Hermits, João Gilberto, Maria Bethânia, Abramo Eberle,Florêncio Ygartua, Loureiro da Silva, Frei Betto,Pablo Komlós, Oswaldo Aranha, Lindolfo Collor, Antônio e Laura Mostardeiro...

Estes são apenas alguns dos mais de 250 personagens cujas histórias são contadas em Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre. Escrito por mim, Carlos Augusto Bissón, a obra é uma publicação da Editora da Cidade (Secretaria Municipal de Cultura) e do Instituto Estadual do Livro (IEL). Não se trata, porém, de um trabalho cujo interesse se restringe apenas àquela região da cidade. Pelo contrário, os assuntos abordados em Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre dizem respeito à história da capital gaúcha e do Rio Grande do Sul.

Nas 244 páginas da obra, 20 das quais com fotos, mostro, entre outros assuntos, que o Moinhos se tornou uma confluência, nunca mais repetida na cidade, do dinheiro “novo” com o dinheiro “velho”. Membros de famílias célebres no Estado – Assis Brasil, Chaves Barcellos – conviviam no bairro com os criadores e proprietários de marcas empresariais famosas (Varig, Ipiranga, Panvel, Foernges, Taurus, entre outras). O bairro foi cenário dos agitados acontecimentos pré e pós- 64, já que, nesta época, o centro do poder do Rio Grande do Sul estava instalado ali: o Governador Ildo Meneghetti, seu antecessor, Leonel Brizola, o presidente da Fiergs, Plínio Kroeff, e o da Farsul, Oscar Carneiro da Fontoura. E, quando estava em Porto Alegre, o presidente João Goulart se hospedava no apartamento da mãe, Vicentina (Edifício Santa Luiza, na 24 de outubro).

MODERNIDADE E TRADIÇÃO NO MOINHOS

Se seu passado é fulgurante de história e tradição, o Moinhos de Vento foi pioneiro, também, em certos aspectos vinculados à modernidade que se tornaram, posteriormente, rotineiros em Porto Alegre. A primeira piscina particular da cidade foi construída no bairro, assim como a pioneira galeria comercial situada fora do Centro. O Moinhos também foi sede das inéditas lojas dedicadas exclusivamente à venda de CDs e à decoração de ambientes. Os Edifícios Arachane, Floragê e Jorge V abrigaram os maiores apartamentos construídos na capital em suas respectivas épocas. Além disso, duas inovações comportamentais surgidas no bairro estão hoje incorporadas de tal forma ao nosso cotidiano que nem percebemos o impacto revolucionário que causaram em sua época. Foi no Moinhos (Rua Quintino Bocaiúva) que Fernando Mendes (Fernandinho) lançou um dos primeiros, senão o primeiro, salão de cabeleireiros masculino do Brasil. E a 24 de outubro era o endereço da Academia do Parque, que disseminou em Porto Alegre o culto aos exercícios e à forma física vigente até hoje.
E há histórias que hoje parecem inacreditáveis, como as corridas de carros no nas quais os rapazes ficavam nus em cima dos veículos. O local era um grande point da juventude nos anos 70, que se reunia ali às centenas para conversar e namorar em voltas dos trailers de cheeseburger.

Além disso, Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre narra a construção do Hipódromo, do Estádio do Grêmio e da Hidráulica. Outra menção importante são os grandes shows nacionais e internacionais promovidos pelo Grêmio Náutico União e Associação Leopoldina Juvenil: Elis Regina e Jair Rodrigues, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Brenda Lee, Domenico Modugno, Maurice Chevalier, Herman's Hermits etc. O livro também conta a história de três assassinatos que abalaram a cidade: o fantasmagórico “crime da Lagoa dos Barros”, o chamado “ Caso Margit Kliemann” e a morte de José Antônio Daudt.
Os elogios a Moinhos de vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre se sucedem. O historiador Voltaire Schilling afirmou que a obra é “uma história social da elite gaúcha escrita com notável fluência, na qual, tendo como ponto de referência um bairro de Porto Alegre, é retratada toda a grandeza de um Rio Grande do Sul que o vento levou”. Por sua vez, o articulista Jaime Cimenti escreveu no Jornal do Comércio (Caderno Viver, 24/10/2008) que "a longa e cuidadosa pesquisa resultou numa obra que já nasce clássica, referencial e inspiradora de novos estudos". E Luís Augusto Fischer considerou o livro uma “preciosidade”. Ele é “bem concebido”, escrito num “português culto” e apresenta uma “leitura histórica de fôlego”, a qual “não dá para parar de ler” (Zero Hora, Segundo Caderno, página 6, 28/10/2008).

sábado, 13 de novembro de 2010

O que você não leu sobre o show de Paul McCartney em Porto Alegre


Durante aquelas quase três horas do show de Paul McCartney no Beira-Rio, Porto Alegre teve a ilusão de que era uma cidade cosmopolita, um grande centro internacional. Terminado o show, porém, a magia “européia” logo se quebrou. Gente que saía das arquibancadas e do gramado gritava nos corredores do Beira - Rio “Grêeemiooo, Grêemiooo”. Ou seja, o fato de seu time ter ultrapassado o Internacional no Brasileirão já havia tomado completamente as mentes desses caras em detrimento daquele momento musical celestial que haviam presenciado. Puxa, com que rapidez retornamos ao nosso provincianismo tacanho...

Brincadeiras (digamos assim) à parte, o fato é que as indescritíveis emoções do espetáculo da noite de domingo (07/11) criaram nos jovens que lá estiveram a sensação de que o que a cidade vier a presenciar no futuro em termos musicais ( e artísticos em geral) será um anticlímax. Basta conferir o que tem sido dito nas redes sociais (Twitter, Facebook). Ainda com contornos mal definidos, o sentimento de mal estar vigente é: o que poderia superar Paul McCartney daqui por diante ?Como o assunto ainda vai dominar as conversas da cidade por um bom tempo – e os sentimentos provocados pela música de Paul foram dissecados por Zero Hora na segunda e na terça-feira (08 e 09/11) – cabe mencionar aqui algumas verdades e boatos envolvendo o show que não foram suficientemente destacados pela imprensa.

1. Ao que parece, Porto Alegre não estava incluída no roteiro da tournê de Paul ( Up and Coming) na América do Sul. Felizmente, a DC-7 se “atravessou” nas negociações, a RBS entrou na jogada e eles conseguiram incluir a cidade antes de Buenos Aires e São Paulo. Os patrocinadores (Oi, Nescafé e Lojas Colombo) foram arrumados às pressas.

2. Há um boato de que os custos de montagem do palco, instalação do som e segurança tenham triplicado em relação ao habitual. Porque se tratava de Paul McCartney, garantia de maciça presença de público.

3. Não é verdade que a organização do show na cidade tenha sido impecável. Pelo menos, em termos de tratamento dos seus espectadores. Como ressaltou o fotógrafo Eurico Salis, faltou policiamento ostensivo dentro e fora do estádio, os banheiros orgânicos estavam imundos e sem luz, não havia lixeiras em número suficiente para atendar aquele enorme público e - o que quase causou brigas - se formaram duas filas de espectadores na entrada do Portão 5. Uma “oficial” e outra “alternativa”. Embora o repórter Luciano Périco estivesse alertando sobre esse fato na Rádio Gaúcha desde às 17h, nenhuma providência foi tomada para resolver o problema. Tudo isto, somado às dificuldades de trânsito e estacionamento, faz temer pela organização de uma Copa do Mundo em Porto Alegre.

4. Por falar nos banheiros orgânicos, o site oficial do cantor (http://www.paulmccartney.com/news.php#/2063/2010-11) diz que o movimento provocado pelo show fez com que “trabalhadores colocassem toaletes portáteis para fazer frente ao movimento do público”. Não se sabe se, dizendo isso, os ingleses quiseram “turbinar” o entusiasmo pela presença de Paul em Porto Alegre ou se, de fato, acreditam que os repulsivos banheiros orgânicos só são usados na cidade em situações de emergência...

5. Apesar do tititi causado pela presença de colunáveis e artistas nacionais (como Marina Lima e Fernanda Takai) nos camarotes e no Emotion Club, quem merece aplausos é o pessoal que adquiriu o ingresso Hot Sound Vip. São os cerca de 250 fãs que pagaram... sente-se para não cair... 1500 DÓLARES para ver Paul McCartney. Eles chegaram antes das 13h no Beira-Rio para usufruir dos benefícios oferecidos por esse ingresso. Entre estes, um almoço sem carne (penne, bruschetta, berinjela) - que foi generosamente considerado por eles como tributo ao vegetarianismo de McCartney - bebida à vontade (incluindo-se vodka, champanhe e Johnnie Walker) e, sobretudo, a oportunidade de assistir o ídolo ensaiar antes do show, fazendo aquilo que se chama de passagem do som. Às 16h30, esses fãs ardorosos (e abonados) entraram num Beira-Rio completamente vazio e viram Paul tocar canções dos Beatles que não entraram no espetáculo (como I’m looking through you). O ensaio durou até às 18h, atrasando a abertura dos portões (prevista para às 17h30). Antes do grande público entrar no Beira-Rio, eles foram posicionados pela organização nas primeiras filas do gramado, bem em frente ao palco. A partir daí, terminaram os privilégios. Todos assistiram ao show de pé e não podiam sair dali para ir ao banheiro ou ao bar. Caso contrário, perderiam a possibilidade de serem os fãs que estavam mais próximos do ídolo.

6. Muito se elogiou a vitalidade física de Paul durante o show. De fato, ela, inegavelmente, existe e encantou a todos. Contudo, houve um detalhe na interpretação do rock pesado I've got a feeling que deu - a mim, pelo menos - o que pensar. Na gravação original da canção (incluída no CD Let it be), Paul grita dois ou três "yheahhhs" poderosamente agudos entre as estrofes. No show de Porto Alegre, eles desapareceram. Na época da gravação, o ex-beatle tinha 29 anos. Agora, tem 68. Pergunta: a supressão daqueles gritos foi opção artística ou ele resolveu não arriscar a voz ? A pergunta cabe na medida em que todas as outras 34 cançõe s foram, assim me pareceu, cantadas da mesma forma com que foram gravadas há três ou quatro décadas. A exceção foi I've got a feeling.

7. Finalmente, não podemos deixar de mencionar algo que talvez confirme o ressentimento latente de muitos gaúchos contra São Paulo. Embora o show de Paul McCartney em Porto Alegre abrisse a turnê sul-americana após mais de 10 anos de ausência, a revista Veja não deu uma linha sequer sobre a apresentação. É provável que o astro-pop se torne assunto da dita quando ele realizar seu megashow na capital paulista (21/11 e 22/11). Decididamente, o que acontece na província não interessa ao centro...

O Senado Federal (quem diria) está promovendo a cultura nacional


Lembram-se da gráfica do Senado Federal ? Aquela que, nos anos 90, era suspeita de desperdiçar o dinheiro público imprimindo o material de campanha dos nobres senadores, inclusive, supõe-se, do então (1994) candidato à Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso ? Pois é: ela, como o Brasil, parece ter mudado, e muito. Não se sabe se a gráfica continua atendendo, prioritariamente, aos interesses eleitorais dos parlamentares. Agora, é incontestável que ela, hoje, vem prestando um serviço inestimável à memória nacional através das Edições do Senado Federal. Trata-se de mais de 130 títulos clássicos, cujo primeiro vislumbre na enorme barraca instalada pela instituição na atual Feira do Livro de Porto Alegre (entre pela Andradas e dobre no primeiro vão à direita) provoca um pensamento reconfortante: pelo menos, o Senado está servindo para alguma coisa...e de importância fundamental para quem quer conhecer a História do Brasil.
São obras de caráter histórico-memorialístico que estavam relegadas às bibliotecas de nossas universidades, já que as editoras particulares não têm interesse em reeditá-las. Contudo, elas constituem referência bibliográfica fundamental para quem quiser pesquisar sobre a trajetória brasileira do Descobrimento à República. Todo o candidato a historiador já se deparou, por exemplo, com os nomes de Capistrano de Abreu, Pandiá Calógeras e Francisco Varnhagen. Eles estão à venda na barraca por preços que vão de 20 reais (os dois primeiros) a 30 (Varnhagen). E há também Oliveira Viana, cujo O ocaso do Império sai por inacreditáveis 10 reais.
A historiografia marxista sempre reconheceu o valor documental, descritivo e factual do quarteto acima citado, mas sempre os considerou historiadores conservadores. Contudo, ninguém imputaria tal pecha às opiniões de Eduardo Prado. Seu livro A ilusão americana foi lançado no final do século XIX, vendeu muito e foi apreendido no mesmo dia pela polícia. Motivo: Prado já defendia, naquela época, a tese de que o Brasil deveria ser autônomo em relação aos estrangeiros. Ele dizia, por exemplo, que a fraternidade norte-americana era um blefe. Tampouco se chamaria de reacionário consumado a Joaquim Nabuco, um dos maiores intelectuais brasileiros do tempo do Império. O Senado editou quatro de suas obras, oferecidas a preços que vão de 10 a 15 reais: O Abolicionismo, Campanha Abolicionista no Recife, Balmaceda e A intervenção estrangeira na Revolução de 1893. E quais são os temas de Nabuco, além da questão da escravatura? Ora, Presidencialismo, Parlamentarismo e relações internacionais. Tudo atualíssimo, não é ? Ele chega até a insinuar a necessidade de uma reforma agrária em Campanha Abolicionista no Recife, escrito em 1885...
Há, porém, mais, muito mais. Todo jornalista ouviu falar em Hipólito José da Costa, fundador do primeiro jornal brasileiro (Correio Brasiliense) e nome do nosso Museu de Comunicação Social. Pois ele comparece com Diário de minha viagem à Filadélfia(1798-1799), onde relata suas impressões da nascente república norte-americana. Há Joaquim Manoel de Macedo, autor do terror escolar de nossa adolescência, A moreninha, mas que exercita bem seus dotes de cronista em Memórias da Rua do Ouvidor e Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. E como não negar o acerto do Senado em relançar essas obras se O Velho Senado, incursão jornalística do nosso gigante das letras, Machado de Assis, pode ser adquirido por irrisórios cinco reais ? Até uma obra capital para se conhecer os primórdios de nosso estado, Viagem ao Rio Grande do Sul (Auguste Saint-Hilaire) está disponível lá. Por fim, o Senado Federal também reeditou a monumental História da Literatura Ocidental (foto), do austríaco radicado no Brasil, Otto Maria Carpeaux (1900-1978). É a maior obra do gênero já publicada no país. São mais de 2.000 páginas, divididas em quatro grossíssimos volumes, os quais são oferecidos a 200 reais. É o título mais caro da barraca, mas, garanto, vale cada centavo. Além de cobrir toda a aventura literária humana, fundamentando-a dentro de um quadro histórico-cultural bastante vívido, Carpeaux tem uma prosa luminosa, acessível a qualquer colegial razoavelmente bem informado.
Todo esse tesouro bibliográfico foi publicado pelo Senado, imaginem, durante as gestões dos peemedebistas Garibaldi Alves Filho e José Sarney (que faz a apresentação de alguns títulos, entre os quais O Velho Senado). Não se espantem, por favor. Como dizia o título de um filme quase tão antigo quanto essas obras, mas sem o mesmo valor cultural, do lodo também nasce uma flor. Pois vá correndo até a Feira do Livro, antes que ela feneça. Aliás, alguns desses livros já foram todos vendidos.Se não conseguir chegar lá até 15/11, vc tem possibilidade de adquirir esses clássicos pelo fone (61) 3303-3579 ou na livraria virtual (www16.senado.gov.br/livraria. O e-mail para contatos é livros@senado.gov.br . Aproveite !

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pastor critica a "guerra santa" da campanha eleitoral


Dá vontade de aplaudir o artigo "Pelo fim da guerra santa nas eleições", escrito pelo Pastor Walter Altmann e publicado na Zero de domingo (17/10). Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB), Altmann diz que é princípio fundamental da Reforma de Lutero (foto) o respeito à consciência de cada pessoa e que são "incompatíveis com a fé cristã as tentativas de sacralizar o embate político, sobretudo de satanizar ou demonizar pessoas ou forças políticas adversárias". E o pastor completa: "quem o faz (...) deve ser qustionado se não está sendo ele próprio instrumento da injustiça e do mal". No artigo, o religioso luterano prega que se avalie, "acima de tudo" as propostas dos candidatos Dilma e Serra, especialmente, entre outros tópicos, se elas são exequíveis e se avançam a justiça e a solidariedade no país. A postura assumida pelo Pastor Altmann é admirável num momento em que as seitas auto-intituladas "evangélicas" introduzem no cenário político o debate "medieval" sobre o aborto e prelados da Igreja Católica se dividem entre os que demonizam furiosamente Dilma e os que cerram fileiras em torno dela incondicionalmente. Cabe lembrar que que a Igreja de Confissão Luterana, cuja fé foi professada por muitos dos homens que construíram a industrialização gaúcha (Renner, Wallig, Gerdau, Bier etc), conforme demonstrei em meu livro Moinhos de Vento - História de um bairro de Porto Alegre (Editora da Cidade/IEL, 2° ed.), não foi sequer relacionada entre as 20 instituições religiosas consideradas pelo Censo do IBGE como representativas do povo brasileiro. Santa ignorância.

Serra e as criancinhas

Escrito por mim, este texto foi publicados nos sites de dois amigos meus, jornalistas do RS: www.previdi.com.br/ e http://www.deolhoseouvidos.com.br/
" Caros irmãos
O fato de a questão do aborto ter ocupado tanto espaço em nossa imprensa e na campanha eleitoral reforçou em mim aquilo que todos nós, brasileiros, sabemos: o Brasil é um país profundamente religioso. E, mais do que isso, visveralmente católico. Sendo assim, me convenci de que o que precisamos é de um presidente que seja, acima de tudo, fervoroso católico. Somente um governante católico poderia defender os dois valores mais importantes para o nosso país: o direito à vida, que é inalienável, e as nossas criancinhas, que são o futuro do Brasil. E, ao ver José Serra comungando na Basílica de Aparecida, ao constatar que sua mulher, Mônica (foto), estava tão tomada de êxtase cristão que lágrimas corriam-lhe pelas faces, eu próprio, compungido, concluí: Ecce hommo! Ou, mais brasileiramente, esse é o cara !
Porém, como Pedro naqueles instantes anteriores à sua negação de Jesus, somente uma dúvida atormenta meu coração, no momento em que mal contenho minha vontade de ir ao encontro do candidato tucano em Porto Alegre, como outrora os 12 apóstolos, de acordo com o livro santo, acorreriam ao chamado do nosso Salvador.
Minha dúvida é:
Será que Serra, eleito presidente e sendo tão profundamente católico, vai fazer com as nossas criancinhas o que os padres têm feito com os menininhos deles ?"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Garotos da fuzarca no Moinhos Shopping


A partir das 17h30 de sábado (e, às vezes, nos domingos), um trio de personalidades que tem uma longa e exitosa trajetória na vida portoalegrense se reúne no Moinhos Shopping. Ele são o jornalista, radialista e atual cronista do jornal O Sul, Jayme Copstein, o antigo crooner do Conjunto Norberto Baldauf e atual consultor de empresas, Luiz Octávio Albuquerque, e o ex-piloto de corridas, fotógrafo e homem que ensinou aos gaúchos que viajar (sobretudo para o exterior) era uma atividade civilizatória, Flávio Del Mese. A conversa gira tanto em torno dos acontecimentos da semana como de fatos do passado portoalegrense, tudo envolvendo música, jornalismo, política etc. Muitas vezes, o tom humorístico da conversa é bastante corrosivo, pois estes garotos da fazurca, tendo mais de 70 anos e muitos quilômetros rodados no RS e no exterior, viram poucas e boas no Rio Grande do Sul e no Brasil. E o que é revelado ali sugere que, ao contrário da lenda, não é só o (resto do) Brasil que é uma piada... É frequente que muitos admiradores do trio se juntem em torno do Flávio, do Jayme e do Octávio. Na foto, vocês vêem a mesa da turma, situada no primeiro piso do Moinhos Shopping (aquele cuja entrada é pela Rua Tobias da Silva). Da esquerda para direita: Marco Abreu (engenherio eletrônico que trabalham com música, produzindo CDs), o Jayme Copstein (de boné e lendo), eu (Carlos Augusto Bissón, autor e infatigável divulgador do livro Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre), o "Alemão" Octávio (que, desde jovem, sempre "sai bem na foto"), Sérgio Reis (apresentador veterano da televisão gaúcha, e que tem um programa no Canal 20) e Flávio Del Mese.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Arnaldo César Coelho fala de livro do Moinhos no SportTV



Arnaldo César Coelho (foto) exibiu e comentou o livro Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre no programa Bem, amigos, do SportTV. Isto aconteceu por volta das 23h10 de segunda-feira (11/05). De forma muito simpática e generosa, o ex-juiz e atual comentarista de arbitragem da Rede Globo se referiu ao trecho do livro no qual é citado. Trata-se do jogo disputado por Internacional e São Paulo pelo Campeonato Nacional de 1973. Naqueles dias, a Companhia Jornalística Caldas Jr. e, sobretudo, a Rádio Guaíba eram soberanas na cobertura futebolística. Dada a envergadura daquele jogo, seria natural que o locutor Pedro Carneiro Pereira transmitisse a partida. Chefe do Departamento de Esportes da Guaíba, Pedrinho era o melhor e mais famoso narrador do Rio Grande do Sul. Ele havia se criado no Moinhos de Vento e era filho de Pedro Pereira, médico famoso na cidade nos anos 40 e um dos fundadores da Sociedade de Pediatria do RS. Além de locutor, Pedrinho também era um apaixonado por corridas de automóveis, frequentando as pistas na condição de piloto (foi presidente do Automóvel Clube do RS). Em 21 de outubro, um domingo, havia a disputa de uma prova no Autódromo Internacional de Tarumã no mesmo horário no qual o Internacional jogava no Beira-Rio. Pedrinho optou por correr e cedeu o seu posto na cabine da Rádio Guaíba para Armindo Antônio Ranzolin. Durante o primeiro tempo da partida, o plantão esportivo Antônio Augusto pediu ao Corpo de Bombeiros que se dirigisse com urgência a Tarumã. No Beira-Rio, todos os torcedores suspeitaram que havia ocorrido um acidente na corrida. Mas o pior veio depois, quando Antônio Augusto anunciou que dois pilotos tinham morrido: Ivâ Iglesias e Pedro Carneiro Pereira. Foi um choque terrível para todos os presentes no Beira-Rio. Os torcedores nem se importaram muito quando o São Paulo fez o primeiro gol ( a partida terminaria em 2 a 2). O locutor Armindo Ranzolin cancelou a transmissão, provocando os aplausos de todo o Beira-Rio, já que a audiência da Guaíba era total. Em seguida, houve uma paralisação da partida. Arnaldo César Coelho era o juiz e decidiu homenagear Pedro Carneiro Pereira com um minuto de silêncio. Todo o estádio ficou de pé. Eu tinha 13 anos e estava lá, porque, na época, era torcedor do Internacional (hoje me considero ex, já que não me afetam os resultados futebolísticos). Pedrinho tinha apenas 35 anos. Esta é uma das narrativas que Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre traz para o conhecimento dos mais jovens, a qual Arnaldo César Coelho (com a contribuição de Ruy Carlos Ostermann, que também estava naquele Bem, amigos) gentilmente relembrou em rede nacional.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Segunda edição de livro sobre Moinhos de Vento

Já chegou às livrarias de Porto Alegre a segundo edição de meu livro, Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre. Ele é co-editado pela Editora da Cidade, da Prefeitura de Porto Alegre, e pelo Instituto Estadual do Livro (IEL). Lançada em outubro de 2008 com grande sucesso (veja postagem mais abaixo), a obra se esgotou em janeiro de 2009. Neste período do ano (férias de verão), não se pode fazer licitações na Prefeitura, o que fez com que o livro só pudesse ser relançado na metade de abril. Esta segunda edição é patrocinada pela Goldsztein Patrimonial. Vale a pena relembrar os entusiasmados elogios recebidos pelo meu trabalho:

“Já leu o livro de Carlos Augusto Bisson, Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre? Vale a pena”. Paulo Brossard, Zero Hora, 26/01/2009

"A longa e cuidadosa pesquisa resultou numa obra que já nasce clássica, referencial e inspiradora de novos estudos". (Jaime Cimenti, Jornal do Comércio 24/10/2008)

“O livro é uma preciosidade. Bem concebido, escrito num “português culto” e apresenta uma leitura histórica de fôlego, a qual não dá para parar de ler”. Luís Augusto Fischer (foto) , Zero Hora, 28/10/2008).

“Uma história social da elite gaúcha escrita com notável fluência, na qual, tendo como ponto de referência um bairro de Porto Alegre, é retratada toda a grandeza de um Rio Grande do Sul que o vento levou”. Voltaire Schilling

“São (...)tantos os personagens importantes que circulam na área do Moinhos de Vento, que ficamos quase com a impressão de que a história de Porto Alegre se fez a partir daquele pequeno espaço”. Noeli Lisboa (foto), ZH Moinhos, 12/02/2009)

Quem não mora em Porto Alegre, pode adquirir Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre através dos sites das livrarias Saraiva (http://www.livrariasaraiva.com.br/) e Cultura (http://www.livrariacultura.com.br)/. Como o centro de distribuição da Saraiva fica em São Paulo, a livraria apresenta a opção "avise-me quando estiver disponível". Entretanto, o livro está disponível, sim, e a Saraiva é a maior vendedora isolada da obra até este momento em Porto Alegre (através de suas lojas nos shoppings Moinhos de Vento, Praia de Belas e Iguatemi, e na Siciliano do Centro da cidade). Se preferir, vc pode entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura e falar com Jane (51 32898012). O livro custa 25 reais.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Elogios a livro do Moinhos de Vento

Após uma longa ausência, motivada pelas férias e pela preparação para as ditas (estive no Rio e em Nova Iorque, aguardem futura postagem relatando tudo), estou de volta a este blog. Fiquei sabendo que, durante a minha ausência, a jornalista Noeli Lisboa escreveu um artigo sobre o meu livro, Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre. O caderno ZH Moinhos publicou o texto em 12 de fevereiro.
Jornalista veterana com passagens por redações e assessorias, Noeli é formada, como eu, pela UFRGS, universidade onde fez o mestrado em Letras na área de Análise de Discurso. Numa das passagens do artigo publicado em Zero Hora, ela diz que " são tantas as coisas que acontecem, e tantos os personagens importantes que circulam na área do Moinhos de Vento, que ficamos quase com a impressão de que a história de Porto Alegre se fez a partir daquele pequeno espaço".
É um dos elogios mais importantes que recebi desde que o livro foi lançado. Parabenizo minha amiga Noeli pela perspicácia de ter percebido exatamente o que pretendi com Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre. Ou seja, mostrar a importância do papel desempenhado pelos moradores daquela região na história da cidade. E que ela considere que atingi meu objetivo me enche de satisfação. O texto inteligente de Noeli Lisboa pode ser conferido no endereço abaixo ( reparem, ao abrir, que o artigo aparece no final da página):

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2401422.xml&template=3898.dwt&edition=11694&section=997

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Debate sobre o bairro Moinhos de Vento no Lorita

No anoitecer de quarta-feira (17/12), eu e Mário Kerber fizemos um debate sobre o bairro Moinhos de Vento no pátio coberto de parreiras do Lorita Restaurante (Castro Alves, 678, bairro Rio Branco, Porto Alegre). Foi uma promoção da Nexo Comunicações da jornalista Rejane Martins ( na extrema direita da foto, de pé e de blusa e calça escuras), responsável por um dos eventos mais bem sucedidos da cidade, o Mesa de Cinema.

O leitmotiv do debate foi meu livro, Moinhos de vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre. Houve intensa participação do público presente, já que o Moinhos, como se sabe por aqui, é uma das áreas mais badaladas da capital. E, ao que parece, não só dela. Dizem, não sei se é verdade, que o Narrador Galvão Bueno teria declarado no Bem, amigos do SportTV que a Rua Padre Chagas seria o maior (ou um dos maiores) point de encontros do Brasil. Sendo assim, não é de se admirar que, tendo se iniciado perto das 20h, a discussão sobre o Moinhos tenha se estendido até as 22h. Entre os presentes, estava o jornalista Roger Lerina, que assina a ContraCapa do Segundo Caderno de Zero Hora.

Curiosamente, o Lorita Restaurante fica numa área pertencente, no início do século XX, à chácara de Antônio Mostardeiro (e de sua mulher, Dona Laura, ambos nomeando, hoje, duas das ruas mais conhecidas dos bairros Moinhos de Vento e Rio Branco). Ou seja, o local do debate sobre Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre não poderia ser mais apropriado. A proprietária é a psiquiatra Roberta Horn Gomes ( na foto, de pé e de blusa verde). Ela e o chef Peter Knoblich (na foto, entre Roberta e Rejane) tornam o Lorita um dos espaços gastronômicos mais interessantes da cidade. Enquanto eu e o Mário conversávamos com o público, por exemplo, nos foi servida uma iguaria absolutamente inédita: tomates defumados. Quem provou, pessoal, não esquece o sabor. Nem nos passou pela cabeça que aquela inigualável delícia poderia ser um prosaico tomate. Aliás, esse item é uma exclusividade do Lorita, que tem defumador próprio. Vale a pena conhecer o restaurante, que serve carnes, peixes e funghis muitos saborosos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

História social da elite gaúcha em livro sobre bairro de Porto Alegre


Se você pensa que o bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, é apenas o Parcão, o Hotel Sheraton (foto), o Moinhos Shopping, a Padre Chagas e a Calçada da Fama, veja só o elenco que morou ou esteve ligado ao bairro em mais de 100 anos de sua existência:

A.J. Renner, Getúlio Vargas, Érico Veríssimo, Leonel Brizola, Ildo Meneghetti, João Goulart, Caetano Veloso, Daiane dos Santos, Clodovil, Thomaz Koch, Castelo Branco, Dom João Becker, Dom Vicente Scherer,Flores da Cunha, Alberto Bins, Elis Regina, Jair Rodrigues, Miriam Makeba, João Wallig, Paixão Côrtes, Breno Caldas, Maurice Chevalier, Herman's Hermits, João Gilberto, Maria Bethânia, Abramo Eberle,Florêncio Ygartua, Loureiro da Silva, Frei Betto,Pablo Komlós, Oswaldo Aranha, Lindolfo Collor, Antônio e Laura Mostardeiro...

Estes são apenas alguns dos mais de 250 personagens cujas histórias são contadas no livro Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre. Escrito por mim, Carlos Augusto Bissón, a obra é um lançamento da Editora da Cidade (Secretaria Municipal de Cultura) e do Instituto Estadual do Livro (IEL). Não se trata, porém, de um trabalho cujo interesse se restringe apenas àquela região da cidade. Pelo contrário, os assuntos abordados em Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre dizem respeito à história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

Nas 244 páginas da obra, 20 das quais com fotos, mostro, entre outros assuntos, que o Moinhos se tornou uma confluência, nunca mais repetida na cidade, do dinheiro “novo” com o dinheiro “velho”. Membros de famílias célebres no Estado – Assis Brasil, Chaves Barcellos – conviviam no bairro com os criadores e proprietários de marcas empresariais famosas (Varig, Ipiranga, Panvel, Foernges, Taurus, entre outras). O bairro foi cenário dos agitados acontecimentos pré e pós- 64, já que, nesta época, o centro do poder do Rio Grande do Sul estava instalado ali: o Governador Ildo Meneghetti, seu antecessor, Leonel Brizola (na foto, com a mulher Neuza e os três filhos), o presidente da Fiergs, Plínio Kroeff, e o da Farsul, Oscar Carneiro da Fontoura. E, quando estava em Porto Alegre, o presidente João Goulart se hospedava no apartamento da mãe, Vicentina (na foto, ambos estão no imóvel do Edifício Santa Luiza, na 24 de outubro).

MODERNIDADE E TRADIÇÃO NO MOINHOS

Se seu passado é fulgurante de história e tradição, o Moinhos de Vento foi pioneiro, também, em certos aspectos vinculados à modernidade que se tornaram, posteriormente, rotineiros em Porto Alegre. A primeira piscina particular da cidade foi construída no bairro, assim como a pioneira galeria comercial situada fora do Centro. O Moinhos também foi sede das inéditas lojas dedicadas exclusivamente à venda de CDs e à decoração de ambientes. Os Edifícios Arachane, Floragê e Jorge V abrigaram os maiores apartamentos construídos na capital em suas respectivas épocas. Além disso, duas inovações comportamentais surgidas no bairro estão hoje incorporadas de tal forma ao nosso cotidiano que nem percebemos o impacto revolucionário que causaram em sua época. Foi no Moinhos (Rua Quintino Bocaiúva) que Fernando Mendes (Fernandinho) lançou um dos primeiros, senão o primeiro, salão de cabeleireiros masculino do Brasil. E a 24 de outubro era o endereço da Academia do Parque, que disseminou em Porto Alegre o culto aos exercícios e à forma física vigente até hoje.

E há histórias que hoje parecem inacreditáveis, como as corridas de carros no Parcão, nas quais os rapazes ficavam nus em cima dos veículos. O local era um grande point da juventude nos anos 70, que se reunia ali às centenas para conversar e namorar em voltas dos trailers de cheeseburger.

Além disso, Moinhos de Vento – Histórias de um bairro de Porto Alegre narra a construção do Hipódromo, do Estádio do Grêmio e da Hidráulica. Outra menção importante são os grandes shows nacionais e internacionais promovidos pelo Grêmio Náutico União e Associação Leopoldina Juvenil: Elis Regina e Jair Rodrigues (foto), Caetano Veloso, Maria Bethânia, Brenda Lee, Domenico Modugno, Maurice Chevalier, Herman's Hermits etc. O livro também conta a história de três assassinatos que abalaram a cidade: o fantasmagórico “crime da Lagoa dos Barros”, o chamado “ Caso Margit Kliemann” e a morte de José Antônio Daudt.
Os elogios a Moinhos de vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre se sucedem. O historiador Voltaire Schilling afirmou que a obra é “uma história social da elite gaúcha escrita com notável fluência, na qual, tendo como ponto de referência um bairro de Porto Alegre, é retratada toda a grandeza de um Rio Grande do Sul que o vento levou”. Por sua vez, o articulista Jaime Cimenti escreveu no Jornal do Comércio (Caderno Viver, 24/10/2008) que "a longa e cuidadosa pesquisa resultou numa obra que já nasce clássica, referencial e inspiradora de novos estudos". E Luís Augusto Fischer considerou o livro uma “preciosidade”. Ele é “bem concebido”, escrito num “português culto” e apresenta uma “leitura histórica de fôlego”, a qual “não dá para parar de ler” (Zero Hora, Segundo Caderno, página 6, 28/10/2008).
O livro está sendo vendido nas principais livrarias de Porto Alegre (sobretudo as dos shoppings) ao preço médio de 25 reais. Não deixe de ler !

A noite em que o Moinhos ganhou o seu livro


Desde que foi lançado na Saraiva do Moinhos Shopping (15/10), um livro está causando sensação no bairro Moinhos de Vento. Trata-se de Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre (Editora da Cidade/Instituto Estadual do Livro), escrito por este jornalista. Para não ser "do contra" e seguir o estilo autocongratulatório de um setor importante do jornalismo gaúcho, pode-se dizer a festa de lançamento "parou o shopping". Vale a pena relembrar esse evento, que não recebeu o devido detalhamento pela imprensa local (com exceção dos colunistas Paulo Gasparotto, de O Sul, e Eduardo Bins Ely, do Jornal do Comércio, presentes na ocasião).

Marcada, por exemplo, para começar às 19h30 de uma quarta-feira, a sessão de autógrafos teve de ser antecipada em 15 minutos, pois já havia uma dúzia de pessoas esperando pelo autor. E, desde então, não larguei mais a caneta. A noite foi longa: a fila só terminou às 22h30. Foi a sessão de autógrafos de maior sucesso da Saraiva do Moinhos Shopping desde que ela assumiu o controle da antiga Livraria Siciliano: 192 exemplares foram vendidos. Trata-se de um número excepcional para o mercado gaúcho, se considerarmos que o movimento de compras de uma livraria, decidamente, não é o de uma churrascaria.

O créme de la créme dos descendentes dos moradores do Moinhos de Vento dos anos 30 e 40 compareceu em peso ao evento. Estavam lá, entre outros, Mariette Meyer, filha de Otto Mayer ( fundador da Varig), e seu marido, Roberto Bier da Silva; Ingrid Wallig (neta de João Wallig); Ildo Meneghetti, neto e homônimo do ex-governador do Rio Grande do Sul; Ruy Brossard de Souza Pinto, irmão do ex-senador do RS; Lívia e Ismael Chaves Barcellos, da histórica família que dominou as colunas sociais do Estado durante décadas; Beatriz Bülau Dable, filha do ex-presidente do Clube do Comércio e construtor da sede da entidade na Rua dos Andradas ( Ernesto Bülau); o casal Pedro Herrmann e Vera Sassen Herrmann( neta de Bernardo Sassen, proprietário da célebre Cervejaria Continental, vendida, nos anos 40 à Brahma); Cláudia Santos Rocha, neta do homem que construiu a primeira piscina particular do Moinhos e de Porto Alegre, Fábio Netto; e Rosa Tschiedel Santo Meneghetti, filha do proprietário da extinta Casa Tschiedel.

Merece menção especial a presença de três senhoras octogenárias de extraordinária energia e lucidez que muito contribuíram para que Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre se tornasse realidade: a antiga moradora da Rua Barão de Santo Ângelo, Carlinda Godoy (filha do Doutor Jacinto Godoy, fundador do Sanatório São José e primeiro presidente da Sociedade de Psiquiatria do RS); Maria da Glória Martins Costa Beck, viúva do ex-deputado do PTB cassado pelo regime militar Mariano Beck, e residente na Félix da Cunha; e Lea Barth Gerbase, moradora pioneira da Rua Santo Inácio(1926) e mãe do cineasta Carlos Gerbase.

Do mundo empresarial, compareceram Júlio Mottin Filho (Rede Panvel de Farmácias), que se criou no Moinhos; Claiton Franzen, proprietário do Dometila Café, um dos points mais originais do bairro (Praça Maurício Cardoso); Antônio Bastos Ulrich, da Uma Incorporadora; e Bárbara e Fernando Goldsztein. Tanto a Uma quanto a Goldsztein se caracterizam pela construção de edifícios residenciais "Classe A" no Moinhos de Vento.

Finalmente, a festa de lançamento do livro que conta a história do mais tradicional e sofisticado bairro de Porto Alegre teve a presença do titular da Secretaria Municipal de Cultura e responsável pela publicação, Sergius Gonzaga;do secretário municipal da Fazenda, Cristiano Tatsch; da secretária de Coordenação Política e Governança Local, Clênia Maranhão; do ex-deputado estadual Luiz Fernando Staub; e de Isabella Fogaça, Primeira Dama do municípío, representante do Prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (que não compareceu por estar envolvido na campanha política que resultou na sua reeleição).

Em suma, foi uma noite de gloriosa e rara civilidade.

sábado, 29 de novembro de 2008

Homenagem ao autor de livro sobre o Moinhos na Tobias da Silva


Na noite de terça-feira (25/11), fui homenageado na loja Maria Teresa - Objetos Decorativos (Tobias da Silva nº 174, Moinhos de Vento). A honra se deveu à receptividade obtida por meu livro, Moinhos de Vento - História de um Bairro de Porto Alegre.
Maria Teresa Taschetto, Teresa Yustas ( proprietária da confeitaria Primavera), e Mário Kerber, que criou o "Neuro" da "Fobias da Silva", conceberam a festa, que aconteceu das 19h15 até as 22h. O evento foi aberto para a comunidade. Na ocasião, autografei os livros daqueles que, por uma razão ou outra, não puderam comparecer ao lançamento (15/10). A noite foi bastante animada, embalada por um saxofonista que executou peças clássicas do repertório nacional e internacional. Na foto, estão os organizadores (Maria Teresa é a de cabelos longos) e o jornalista-escritor.

Sites que discutem Porto Alegre

Dois sites gerenciados por jornalistas que entraram no ar em novembro se propõe a comentar e discutir a cidade de Porto Alegre. O primeiro deles é o http://bovinenses.blog.de/, de uma jornalista gaúcha de 35 anos que assina como Ariela Boaventura. Ela é moradora do meu bairro, o Moinhos de Vento, e tem uma visão bastante crítica a respeito da capital gaúcha. Seu texto é fluente e inteligente e, embora possa haver os que não compartilhem de seus pontos de vista, o http://bovinenses.blog.de/ tem o extraordinário mérito de não seguir a linha de conformismo e oba oba que caracteriza os juízos sobre Porto Alegre.
O outro site que vale a pena ler é o http://www.poaboa.com.br/. Ele traz notícias, comentários e entrevistas que mostram uma Porto Alegre pouca vista em nossa imprensa. O editor é o jornalista Carlos Alberto de Souza. Souza trabalhou nos jornais Zero Hora, Folha da Tarde, Jornal do Brasil, Diário do Sul, Folha de S. Paulo e Jornal do Comércio. Também foi assessor de comunicação social da Companhia de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Procergs) e da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris).

Com o título de "O escritor que focou o Moinhos de Vento e desvendou o Estado", o site fez uma exposição bastante detalhada de meu pensamento em relação à cidade e uma análise muito pertinente sobre o meu livro, Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre. A foto ao lado retrata a mim, Carlos Augusto Bissón, sentado na Praça Maurício Cardoso, um dos pontos mais tradicionais do Moinhos. O próprio Souza a bateu.

Confira a entrevista em http://www.poaboa.com.br/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=8&Itemid=61

Opiniões sobre o livro do Moinhos

Se vc quer saber o que Luís Augusto Fischer (na Zero Hora), Jaime Cimenti (no Jornal do Comércio), o caderno ZH Moinhos e o Correio do Povo disseram sobre Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre, clique nos links abaixo:

1) http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2230990.xml&template=3898.dwt&edition=10859&section=997

2) http://www.hagah.com.br/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getPalavra&template=4062.dwt&section=Blogs&blog=77&coldir=1&busca=1&topo=&pg=1&palavra=Moinhos%20de%20Vento

3) http://jcrs.uol.com.br/colunistas.aspx?pCodigoColuna=11547&pCodigoColunista=134

4) http://www.cwaclipping.com/jornal/outubro/151008/cp04a.pdf